Passei um tempo escrevendo sobre erros, afinal, sempre achei que erros estão na moda. E pelo visto minha convicção não me abandonou. Sou seguro demais e isso me intriga e me motiva a buscar ingratidões. Soaria masoquista se eu fosse um adepto a dor, mas não, eu não sou. Detesto dor! Detesto senti-la e mais que isso: causá-la.
Quantas dores já ruíram meio as minhas atitudes? E minhas palavras, como transgrediram?
Talvez lágrimas, talvez riso. Ou a banalidade de um choro. Aquele choro que a gente derrama por não ter o que se quer. Como chama mesmo? Choro inconformado. Ah, é isso. Choro inconformado.
Chorei algumas noites, alguns dias, tardes, primaveras. Havia tantos raios de sol e estrelas, porém meu choro impediu-me de ver. Todavia, sorri muito. Da vida, de mim, de ti, de nós, de todos nós.
E mesclei.
Juntei os mais belos sentimentos em uma tela azul e nela desenhei um céu. E no céu... ah, no céu você sabe. Ele está sempre acima de nós – independente de como esteja. Vezes chuva, vezes raios, trovoadas, nuvens...ah,que belas nuvens que se formam na imensidão azul que é o céu. E as estrelas? As incontáveis estrelas.
Escorpião, Libra . Água , ar. Estavam lá.
Contudo, faltava o principal para ilustrar essa tela.
Tantas verdades admitidas e mentiras sucumbidas. O tempo passa e as coisas acontecem, aliás, os fatos aparecem e ai o tempo ajuda, não é mesmo?
Maldita seja essa ligação que perpassa dois seres. Não consigo atribuir isso a nada. Cadê Deus numa hora dessas? Onde está o tempo, por onde se escondeu o passado?
Serão mistérios? De onde eles surgem?
Olho pra você e vejo confusão... aquela mesma confusão daquela última conversa, naquela cozinha, naquela casa, naquelas mentiras... as mesmas que você continua ouvindo. As mesmas que ouvi de ti quando dissestes “não há nada entre nós”.
Toda estória merece um desfecho e na sua eu apareço procurando uma onomatopeia que configure palmas, afinal, agora estou de pé te aplaudindo por não ter acreditado em mim – mais uma vez.
Não merece palmas quem mentiu. As palmas são pra quem acreditou.
Rubian Calixto – dedicado e desabafado.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Foram dois.
Eram dois.
Tornaram-se três, quando me deparei, vi cinco, seis... perdi as contas.
Eram amores.
O que te trouxe aqui? O que te fez voltar? Quem governa? Há um rei? Há príncipes? E princesas? Cadê o trono? E a coroa? Cadê o mastro? O rosto. O afeto. O gesto. Cadê? Você falou de amor, nós falamos de amor. Eles acreditaram no nosso amor. E hoje, pra onde foi? Pra onde vamos? Pra onde fugiremos? Inebriamos-nos em algo chamado ardor. E você, no quê acredita? Em quê? Em onde? Em qual? Teu amor? Sei. Onde está? Longe? Poxa, se é mesmo amor... O medo, o tempo, as dores, as perdas.
Mas a distância não! Distância? É, a distância. Lamento, pois, esta, ele não há de suportar.
Rubian Calixto
Tornaram-se três, quando me deparei, vi cinco, seis... perdi as contas.
Eram amores.
O que te trouxe aqui? O que te fez voltar? Quem governa? Há um rei? Há príncipes? E princesas? Cadê o trono? E a coroa? Cadê o mastro? O rosto. O afeto. O gesto. Cadê? Você falou de amor, nós falamos de amor. Eles acreditaram no nosso amor. E hoje, pra onde foi? Pra onde vamos? Pra onde fugiremos? Inebriamos-nos em algo chamado ardor. E você, no quê acredita? Em quê? Em onde? Em qual? Teu amor? Sei. Onde está? Longe? Poxa, se é mesmo amor... O medo, o tempo, as dores, as perdas.
Mas a distância não! Distância? É, a distância. Lamento, pois, esta, ele não há de suportar.
Rubian Calixto
sábado, 10 de março de 2012
Passeava cabisbaixa sobre os trilhos do bondinho que passava por li n’outra década.
Vestia-se de cores pra tentar colorir o mundo cinza a sua volta.
Tombava, cambaleava, caia, mas não sorria;
Amargura era só o que se via.
E ia, ia, ia sem destino algum, ela ia.
Caminhava vazia de sacolas; Toda a compra, em sua cabeça ia.
E havia flores, amores, dores, gestos e até sabores.
Mas não havia anseio, desejo ou até mesmo um simples apego.
Mas, cabisbaixa ela ia.
Disposta a não mais sofrer, a torturar, matar, roubar;
Convalescente seguia.
Pra retirar a sacola da cabeça, colocar no lugar feito ideias...
Nem pra isso alguém servia.
De todo modo, cabisbaixa, triste, amargurada, sonolenta e infeliz
Ela seguia.
Rubian Calixto – de uma imagem que brotou palavras.
imagem disponível no blog de alguém especial. ( http://hewayvercosa.blogspot.com/ )
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
A vida é feita de erros – pensou. Ao abrir os olhos, percebeu que a escuridão permeava o quarto de luminária azul com luz negra. Foi então que resolveu esfregar-los a fim de encontrar a claridade. Encontrou! Nos olhos, jamais na mente. Fazia um dia lindo lá fora, propício para um passeio de barco. Lembrou que não possuía um barco, tampouco tinha tempo para tal. Era um sábado de trabalho – como de costume. Aliás, como de ‘novo costume’. Um saco trabalhar aos sábados – falou enquanto escovava os dentes com a mão esquerda. Faço isso para treinar minha memória – enfatizou para si, lembrando que é destro. Abriu as cortinas da janela que já estava aberta e viu o mar. Queria ser um peixe – almejou. Peixes não possuem memória. Tudo para eles é novidade, tudo. Se eu estivesse dentro de um aquário – por exemplo, cada volta seria uma descoberta. Uma pedrinha aqui, um coral por ali e na próxima volta: tudo era novo – de novo. Imagina num oceano, talvez eu esquecesse quem eram meus predadores e desejasse ser amigo deles ou até mesmo algo mais.
Mas não, seria chato não ter memória, afinal, jamais me prenderia a lembranças. E elas são necessárias – achou.
Olhou para o relógio e sentiu-se atrasado.
Se eu fosse um pássaro, chegaria lá em segundos – profetizou. E teria a liberdade de migrar com desconhecidos, alçar vôo, seguir em bando para qualquer lugar do planeta, passaria horas voando, cansado e focado na ideia de chegar a algum lugar e chegando lá, poderia dizer que pertenço a outro bando, que sou uma espécie rara e que não há tantos pássaros como eu. Olhou para as nuvens e quis voar. E quando o elevador chegou ao 9º andar, sentiu-se preso. De que me valeriam asas se estou preso ao desejo de ser - também, um peixe?
Entrou no carro e não colocou música.
Trabalhou.
Ao voltar do trabalho, pensou: Eu bem que poderia ser uma árvore.
Interessante e intrigante a ideia de fixar raízes. Todavia, para isso, eu precisava adaptar-me ao solo. Em quais solos eu poderia fixar-me? - questionou.
Depois de todos os acontecimentos do dia do sábado, da manhã, da tarde, da noite e até da madrugada, foi dormir já no domingo, onde a claridade invadia não apenas o seu quarto, mas também sua mente.
Como confiar nos seus sentimentos quando eles simplesmente desaparecem? – dormiu pensando.
Rubian Calixto
Mas não, seria chato não ter memória, afinal, jamais me prenderia a lembranças. E elas são necessárias – achou.
Olhou para o relógio e sentiu-se atrasado.
Se eu fosse um pássaro, chegaria lá em segundos – profetizou. E teria a liberdade de migrar com desconhecidos, alçar vôo, seguir em bando para qualquer lugar do planeta, passaria horas voando, cansado e focado na ideia de chegar a algum lugar e chegando lá, poderia dizer que pertenço a outro bando, que sou uma espécie rara e que não há tantos pássaros como eu. Olhou para as nuvens e quis voar. E quando o elevador chegou ao 9º andar, sentiu-se preso. De que me valeriam asas se estou preso ao desejo de ser - também, um peixe?
Entrou no carro e não colocou música.
Trabalhou.
Ao voltar do trabalho, pensou: Eu bem que poderia ser uma árvore.
Interessante e intrigante a ideia de fixar raízes. Todavia, para isso, eu precisava adaptar-me ao solo. Em quais solos eu poderia fixar-me? - questionou.
Depois de todos os acontecimentos do dia do sábado, da manhã, da tarde, da noite e até da madrugada, foi dormir já no domingo, onde a claridade invadia não apenas o seu quarto, mas também sua mente.
Como confiar nos seus sentimentos quando eles simplesmente desaparecem? – dormiu pensando.
Rubian Calixto
domingo, 30 de outubro de 2011
S'oublier sans rien dire*
Chega uma hora que cansa. Eu deveria ter percebido isso, afinal, não há felicidade por trás do sorriso, pelo contrário, há farsa. É tudo farsa, desrespeito e chega a ser desumano. Me chamam de careta, pois, por mais incrível que pareça, valorizo princípios e não menosprezo ideais. Não importa como, no entanto, quero saber até onde se chega – se é que chega. Todavia, nesse meio, tudo isso parece ser esquecido. Onde se esconde o desejo de ser/fazer diferente? Ele existe? Talvez o calor do momento, o efeito que a música causa ou qualquer outro nome que dão a tesão, vontade e/ou qualquer outro substantivo que o defina tenha a resposta. Alguém que o valha, é o que falta. Sempre iguais; como pólos. Te abordam, cercam, rodeiam e sem rodeios dizem, partem pra cima, falam na tua boca e acham que o efeito do álcool te fará vulnerável – e até faz, a ponto de ir à casa de quem se conheceu a cerca de duas horas atrás. Dissimular: aprende-se nesse meio, como também, mentir, omitir, desmentir e mentir as omissões. É promiscuidade a soberba e isso é feio.
Não aparece alguém que te convide para tomar um café na calmaria de uma terça feira, nem para observar Antares no céu escuro do inverno, procurar boas notícias no jornal de domingo, adestrar um elefante – nem que esse seja feito de papel - ou quem sabe desbravar uma cachoeira, catar conchas na beira da praia e disputar uma partida de mímica – embora eu seja péssimo nisso. Ninguém te pergunta quais filmes te faz pensar e o livro que está sob tua cama atualmente. Mas, sim: “Teus pais sabem? Você pode levar pessoas pra casa? Quem é sua ‘diva pop’ ? Onde você comprou seu jeans? Vai àquela festa? ” A cor da sua cueca – por exemplo, é mais importante que sua vontade desesperadora de mudar o mundo, lamentável. Não sabem responder determinadas coisas e não buscam procurar algo com mais afinco, saber quem foi Cleópatra e que Zygmunt Freud é o mesmo “Froide” que tanto falam. E que – possivelmente, explique o porquê de tudo isso. Não sabem que a mesma energia nuclear que usam para fazer bombas é a mesma que ajuda no tratamento de cura ao câncer. Ninguém quer ver o filme que fala a cerca da Guerra Civil na Espanha, tampouco a obra de Machado de Assis que virou uma minissérie fantástica, sobretudo, vampiros são mais dignos de atenção. Eca! E a devoção a música ‘gringa’? Aiai, tanta coisa boa para se conhecer na cena independente do nosso país. Me falta paciência e em um deslize estou julgando o ser que me olha desejando outra coisa que não o papo que tento ter. E das experiências da vida, o que você carrega? “Sou jovem ainda, tenho muito por viver!” Me pergunto se ao longo de vinte anos uma criatura não é capaz de acarretar experiências e difundí-las ao que se vive no instante. Eu e meu desespero por viver. Dormir me cansa, prefiro mil vezes estar vivendo algo. Sentir-se vivo é o que mais sei fazer, eu acho.
Essa tarde de domingo ta vazia lá fora. Só tem eu e os momentos que quero viver, juntamente com as palavras de um grande amigo que diz que eu não vou encontrar o que procuro - pois exijo em demasia -, o celular sem seu número e o facebook aberto passando por um tal ‘álbum legal' . Não entendo o sentimento, embora o sentido das coisas se refaça a cada vez que escuto seu nome. Como ontem – por exemplo, que alguém chegou e me disse que eu ando muito feliz, apesar de você. Às vezes, a distância do que me faz feliz me corrói, todavia, prefiro consciência. Talvez seja o preço por carregar o meu maior defeito e minha maior qualidade – julgadas por mim mesmo – congruentemente. Acreditar! E acreditar que sou um poeta - como um dia me dissestes - me faz querer sair desse meio – definitivamente, e me opor a qualquer ação que me leve para dentro quando minha real intenção é estar às margens. Pulei fora – eu acho.
Rubian Calixto – ao som de Chanson Triste, Carla Bruni. Mais cabível, impossível.
*se esquecer, sem nada dizer.
Não aparece alguém que te convide para tomar um café na calmaria de uma terça feira, nem para observar Antares no céu escuro do inverno, procurar boas notícias no jornal de domingo, adestrar um elefante – nem que esse seja feito de papel - ou quem sabe desbravar uma cachoeira, catar conchas na beira da praia e disputar uma partida de mímica – embora eu seja péssimo nisso. Ninguém te pergunta quais filmes te faz pensar e o livro que está sob tua cama atualmente. Mas, sim: “Teus pais sabem? Você pode levar pessoas pra casa? Quem é sua ‘diva pop’ ? Onde você comprou seu jeans? Vai àquela festa? ” A cor da sua cueca – por exemplo, é mais importante que sua vontade desesperadora de mudar o mundo, lamentável. Não sabem responder determinadas coisas e não buscam procurar algo com mais afinco, saber quem foi Cleópatra e que Zygmunt Freud é o mesmo “Froide” que tanto falam. E que – possivelmente, explique o porquê de tudo isso. Não sabem que a mesma energia nuclear que usam para fazer bombas é a mesma que ajuda no tratamento de cura ao câncer. Ninguém quer ver o filme que fala a cerca da Guerra Civil na Espanha, tampouco a obra de Machado de Assis que virou uma minissérie fantástica, sobretudo, vampiros são mais dignos de atenção. Eca! E a devoção a música ‘gringa’? Aiai, tanta coisa boa para se conhecer na cena independente do nosso país. Me falta paciência e em um deslize estou julgando o ser que me olha desejando outra coisa que não o papo que tento ter. E das experiências da vida, o que você carrega? “Sou jovem ainda, tenho muito por viver!” Me pergunto se ao longo de vinte anos uma criatura não é capaz de acarretar experiências e difundí-las ao que se vive no instante. Eu e meu desespero por viver. Dormir me cansa, prefiro mil vezes estar vivendo algo. Sentir-se vivo é o que mais sei fazer, eu acho.
Essa tarde de domingo ta vazia lá fora. Só tem eu e os momentos que quero viver, juntamente com as palavras de um grande amigo que diz que eu não vou encontrar o que procuro - pois exijo em demasia -, o celular sem seu número e o facebook aberto passando por um tal ‘álbum legal' . Não entendo o sentimento, embora o sentido das coisas se refaça a cada vez que escuto seu nome. Como ontem – por exemplo, que alguém chegou e me disse que eu ando muito feliz, apesar de você. Às vezes, a distância do que me faz feliz me corrói, todavia, prefiro consciência. Talvez seja o preço por carregar o meu maior defeito e minha maior qualidade – julgadas por mim mesmo – congruentemente. Acreditar! E acreditar que sou um poeta - como um dia me dissestes - me faz querer sair desse meio – definitivamente, e me opor a qualquer ação que me leve para dentro quando minha real intenção é estar às margens. Pulei fora – eu acho.
Rubian Calixto – ao som de Chanson Triste, Carla Bruni. Mais cabível, impossível.
*se esquecer, sem nada dizer.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
No mundo da lua.
Não se sabe ao certo que lugar era aquele. Ora dava a entender que se tratava de um planeta, uma espécie de lugar desabitado, vivendo – atualmente, um fenômeno de povoação. Havia loucos – em sua totalidade. Lembro-me vagamente de uma aquarela composta por todas as cores e alguém que segurava um pincel com a ausência delas, todavia, na aquarela, tinha vermelho, amarelo e bastante azul, mas, no pincel não, tampouco na tela. Também existia música tocando o tempo inteiro. As notas passeavam de clássicos barrocos, instrumentais de compositores franceses a ritmos atemporais. Certo alguém tocava uma flauta freneticamente desconhecendo o som que se dissipava naquele lugar. Lindo mesmo era o palco em que um ‘clown’ recitava poemas de Augusto dos Anjos, permeando assim, coisas vísceras, nojentas e também complexas. Não sabia quem estava ali. Ora dominava uma voz suave, doce. Ora proferia sermões em tom ríspido e autoritário. Mas, ninguém sabia o que esse alguém queria dizer. Havia confusão no palco. Logo, presumiu-se que a presença de alguma coisa – que não se sabe o quê - girava em torno dos habitantes daquele lugar. Os questionamentos começaram a se conglomerar e junto disso, as dúvidas só aumentavam, trazendo consigo conjetura e atribuições. Quem era o dono dali? Havia um rei?
Era preciso mais que paciência, talvez até mesmo ânimo dobre onde um corpo só carregava dois pensamentos sobre determinada coisa. Disfunção – talvez. Os habitantes começaram a fazer apostas e desacreditar nas circunstâncias que os levara ali. Como haviam chegado? “Foi a aurora” – dizia um deles.
O lugar começou a receber visitas. Os sentimentos começaram a chegar. A Inveja tomou parte de tudo o que podia. O Flautista pintava melhor que o Pintor que, por sua vez, entendia de literatura e línguas das mais difíceis de ser falada. Então, fez-se as revoltas, logo depois, as discórdias e quando perceberam as brigas ocupavam o lugar. Era a Ira chegando, juntamente com a Raiva e o Ódio em sua bagagem. “O que querem aqui?” – perguntou o Clown com autoritarismo. A Ira respondeu com um olhar. “É que alguns sentimentos falam com os olhos” – disse o Ódio. E é bem verdade que os olhos falam. De repente, no planeta, um vendaval começou a se formar, a fim de ser um tornado que passaria destruindo tudo. Só havia destruição ali. E o rei, onde estava? “Todo rei precisa ser assassinado.” – disse a Raiva.
E foram em busca de um rei. “Alguém quer essa coroa?” – oferecia a Solidão segurando uma coroa cravejada de diamantes e ágatas.
Ninguém se manifestou. Pudera, o último a ter reinado foi a Falsidade. Quem garante que realmente existia poder ali?
E travaram uma guerra. Todos munidos de armas.
O Ódio apostou no amor. A Ira na Amizade. A Raiva juntou-se com o Carinho. E a Falsidade – que por pouco não luta sozinha - conseguiu apoio da Compreensão.
Bummmm!
“O tempo que passa é o tempo que me resta” – proferiu o amor em seus últimos instantes de vida.
E de longe se ouvia suaves notas sopradas com tristeza. Era o flautista lamentando a perda, a atrocidade. Ele tocava com fervor e ao mesmo tempo, alguém tomara o controle do pincel, era o Clown que escrevia em azul forte sob a tela: Se alguém vai embora, o que sobram são as memórias criadas na vida das pessoas.
Em seguida, os dois abraçaram-se e começaram a dançar ao som do silêncio no planeta que era um mundo.
Aliás, o mundo. O mundo da lua.
Rubian Calixto – em uma segunda-feira fria e triste.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
foi em 25 de Julho de 2011.
"Foi pra ser feliz!" – pensou ele ao olhar o despertador desligado. Sim, passava da hora e em pulo ele despertou. É isso que a vida nos faz, nos desperta. Desperta uma vontade soberana de acordar, de alçar vôo, de viver. Pena nem sempre ser assim.
“Alguém me trouxe saudade, aliás, alguém se tornou dono de minha saudade” – falou para si ao observar que sua camisa estava amassada e era a única que poderia usar. Abriu a gaveta, retirou o relógio, um sorriso, e o deixou cair ao lembrar, ou melhor, ao se transportar para outro dia. Era o passado, lá vinha ele assolá-lo. Lembrou de uma manhã preguiçosa em que ficar na cama seria quase que esperar o mundo acabar e nada aconteceria. Havia desejo de coisas boas - em demasia - para que algo de ruim acontecesse. E, sempre acontecia. As perguntas vinham. Ou melhor, os questionamentos. Era tudo a base do: ‘tim-tim-por-tim-tim’. E isso, ao mesmo tempo em que cansava, instigava, parecia combustível para as engrenagens funcionarem, para o barco navegar em toda aquela imensidão desconhecida que era o que estava por vir. Adiar pra quê? Isso é a vida. São esses questionamentos que nos tornam mais maduros, mais preparados e talvez até mais fragilizados para entender determinadas situações e/ou emoções. E não é que não eram?
Vermelho ou violeta, taça ou copos, carpete ou capacho, geladeira, fogão, cama, piano...
Tudo isso vai persistir.
Verdade é que ele trocou quem queria por quem precisava, ou achava que precisava, ou pensava que podia precisar ou reconhece que precisa - não se sabe. São poucas as certezas que ele deseja carregar, talvez que o céu é mesmo azul – assim como o mar e a cor do seu carro.
E sobre o fim, relacionamentos, regras, o que ele tem a dizer?
Quando chegar ao fim, talvez ele volte aqui e diga - talvez.
Rubian Calixto - dedicado.
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