segunda-feira, 19 de abril de 2010

O velhinho do banco.


Era evidente a curiosidade, pois nada se sabe sobre a história do velhinho que todos os dias ao entardecer sentava naquele banco. Sempre vestindo roupas leves, carregava consigo um espelho de bolso, um sorriso no rosto marcado por linhas da vida e um saquinho de sementes. Usava também fones de ouvido, contudo, jamais descobriram o que se ouvia ali – se é que ouvia. Era encantador observar aquele velhinho. Todos os dias, no mesmo horário, ele sentava naquele banquinho, sozinho, como se espera por alguém. Certa vez alguém se aproximou e tentou um papo. Sr. Amilton, era seu nome. Havia morado na Espanha na década de 60 e voltava à seu país de origem afim de encontrar um alguém. Ele os olhava atento enquanto a conversa fluía e acho que seu pensamento se perdia observando aquela plantação. Falou de guerra, de ambições, de derrotas... por instantes, acreditei estar conversando com um pessimista sofrido e cheio de recalques. Contudo, me mantive inerte e continuei a conversa. Era interessante ouvir sua voz – que vez ou outra falhava – pois, o cigarro já havia consumido parte de seu pulmão. Demorou muito até que eu tivesse coragem de conversar com esse senhor. Ele sempre se mostrou indiferente, calado e insólito. N’algum momento daquela conversa ele disse que sua cor preferida era amarela e o quanto ele gostava de ver o sol se pôr. Presumi que ele era sozinho. Certa vez, li que alguém muito sozinho costumava ver o pôr do sol pra sentir-se mais vivo e menos solitário. Seria essa a teoria desse senhor? Optei por não perguntar. Sr. Amilton possuía hábitos bem peculiares. As terças feiras, ele sempre estava usando a mesma camisa, por sinal, uma amarela em tons degradês, que lembrava o sol. Carregava consigo um saquinho, que, logo após sentar-se no banco ele puxava do bolso, cheirava e passava horas apalpando. Atordoava-me o mistério daquele senhor. De outras vezes que eu só o observei vi que o mesmo mexeu a boca como se acompanhasse a música, contudo, aproximei-me e não ouvi som algum. Tentei mais uma vez perguntar, porém, gaguejei e conclui apenas o raciocínio, jamais a pergunta.
Novamente, busquei explicações para alguns fatos e tentei expor isso. Logo, fui cortado. Economia, carros, mecânica... qualquer outro assunto mais viril seria cômodo naquele instante. Nunca sentimentos, nunca. Insisti em saber que tristeza assolava aquele olhar. Seria uma decepção, frustração, uma dor? Arrisquei e me surpreendi. Falou-me que quando tinha doze anos de idade empinava pipa todas as tardes. Havia uma preferência na cor da mesma, pois, ele gostava do efeito que causava vê-la perdendo-se em meio ao bosque amarelado que estava cercado, porém, próximo ao lugar onde ele sempre as empinava. Era como se as pétalas voassem junto à pipa que se mostrava feliz ao voar por cima de um lugar tão lindo e tão reluzente. Misterioso e cheio de segredos, contava cada detalhe como se estivesse revivendo aquilo, sentado naquele banquinho em frente à plantação de girassóis. Porém, seu olhar buscava algo. Foi ai que perguntei o que ele procurava. Ele me respondeu: Laila viveu ai. Por alguns instantes fiquei confuso, pois, uma lágrima brincava no labirinto de seu rosto formado por rugas. Sr. Amilton disse que viveu um grande amor. Entretanto, pouco se sabe da menina que plantava girassóis.

Rubian Calixto – numa segunda feira de trabalho, com sono e anunciando que a história não termina por ai.

quarta-feira, 7 de abril de 2010




A escuridão do meu quarto denuncia o ‘não estou pra ninguém’, assim como a música sem volume e o ovo de chocolate aberto em cima da cama. Um abraço azul e Téo (meu cão de pelúcia) estão comigo, lembrando claro, do Black que faz bôlhinhas na água que fora trocada minutos atrás. Pacata esta noite. Escondi alguns beijos e soltei-os frente ao espelho. Continuo o mesmo. E a águia que outrora voava no meu pescoço ainda olha pra mim com certo desejo. E eu não espero nada. Tento mudar algo do quarto, tirar a poeira dos livros e dos DVD’s, até chegar à caixa. Já vi muitos filmes, li livros e ouvi até histórias de pessoas que guardaram suas vidas dentro de caixas, esconderam seus segredos por lá e segmentou isso como um modo de vida. O que não se pode compartilhar a gente guarda e guarda bem guardado. Nem sempre a memória é tão boa quanto desejamos. Ás vezes ela chega a ser cruel, indevida e oportuna. Ou melhor, inoportuna. Memória não são apenas fantasmas, nem desejos contidos, nem vagas lembranças. A ideia que tenho sobre memória é outra. É a vontade de esquecer algo, de apagar aquilo e iludir-se achando que é simples. Bem simples. Ah, me desfazer agora seria o mais oportuno. Enterrar a caixa, rasgar as fotos, jorrar lágrimas dentro de cada espaço preenchido por histórias, felicidades, tristezas e alegrias, todas elas, compartilhadas e agir como se isso fosse comum. Foi assim durante um tempo, um longo período no qual eu não me arrependo nenhum pouco. Fica como lembrança, como experiência ou até mesmo como memória. E continuará a ficar, pois a caixa permanece aqui, só que agora, não apenas sendo de um passado no qual quero esquecer, mas sim, de um presente que estou vivendo inevitavelmente, como quem precisa passar por tudo e ser feliz no final. Mas e o final, quando vai ser? Fico com a lembrança vaga de que um dia eu fui muita coisa, inclusive, alguém que pré-meditava as coisas e por vezes me deixava levar pela vida. Hoje sou eu quem quero levar a vida. E, levo comigo, esse sorriso, a esperança e o amor, um amor dos mais bonitos, o amor que carrega minha cor. O amor que no momento está dentro de uma caixa e eu não se sabe até por quanto tempo estará lá. Talvez não seja a hora de erguer memórias.

Rubian Calixto - agora me dêem licença, vou tomar chá. Às 22h10 de uma quarta feira quente.

sexta-feira, 26 de março de 2010



Tem alguém escrevendo a história da minha vida. Eu não posso aceitar que as coisas aconteçam assim,simplesmente por acontecer! Tem que ter uma razão de ser.
Se eu tropecei e bati com o joelho na quina dessa mesa de centro,alguém desenhou ela aqui agora. Não existia antes. Nunca teve mesa de centro na sala da minha casa. Tenho certeza. Tem alguém digitando cada passo meu,cada arroto,cada soluço. Eu não posso aceitar que as pessoas me folheiem assim,simplesmente por acaso. Tem que ter um porquê. Ei,você,pode me responder? Para de traçar meu destino aí por 5 minutos e me dá atenção. Olha,já que vai escrever mesmo,põe algo legal ai:um girasol na janela,um cãozinho bege ao lado da cama,um telefonema fora de hora,uma frase tardia. Aproveita e dá um caprichada nas ruas por onde passo,nos cenários da minha vida e nas pessoas que acenam pra mim!!Estou cansada de tropeçar e cair!!Eu não sei dançar como pede a música!!É sempre a mesma casca de banana,sempre o mesmo tombo,o mesmo galo na cabeça amarela!!Olha só,caí de novo,mais uma vez e mais uma!!Tem alguém escrevendo essa porra dessa história dessa minha vida. Tem que ter. Eu não posso aceitar que o acaso tenha colocado bem aqui no meio da minha sala,bem assim por brincadeira,bem na frente daquela casaca de banana,bem diante da minha próxima queda. Mais um tombo,mais um galo amarelo,tropeço previsto,vulnerável condição. Se tem alguém escrevendo a comédia de erros dessa minha vida,favor inserir um kit de primeiros-socorros nas ruas por onde passo,nos cenários da minhas história e ,principalmente,próximo as pessoas que acenam pra mim.

Jaiara Fontes
-
corrigido por mim.

*pra dizer saudade e lembrar o quanto você é especial.
p.s: eu adorei o texto.

segunda-feira, 15 de março de 2010

15 de machucado de 2010.



Hoje eu acordei à força. A sensação que me dá é que estou com um vazio, talvez seja fome, pois, a mesma tem passado com menos frequência por mim. Já nem sinto mais tanta vontade assim de comer. Por vezes já levantei desta cadeira, fui ao banheiro, me olhei no espelho e tentei acordar, contudo, eu continuo dormindo. O frio faz com que eu me agasalhe e dobre os braços na tentativa de me aquecer um pouco. Não é o suficiente. Chego à conclusão de que hoje eu preciso é de um abraço. E não é qualquer abraço. É um abraço daqueles, do tipo que conforta, sabe?
Eu conheço alguém que possui esse abraço. E, por muitas vezes já me presenteou com um ou até vários. Esse abraço teve o poder de me fazer acreditar que ainda há vida pulsando em minhas veias e que eu posso ser melhor que ontem. Esse abraço já me acolheu não só em seus braços, mas em seu quarto bagunçado e em sua vida. Esse abraço já esteve comigo em alguns lugares, inclusive em um de meus verões – um dos mais inesquecíveis - arrisco em dizer - ganhei esse abraço na chuva, quando estive suado de tanto correr, numa manhã de domingo acordando junto a um bafo que só a intimidade pode te causar. Era legal receber esse abraço na hora do desespero, na ida ou até na volta da faculdade. Ah, me lembro bem das vezes que recebi o abraço como despedida. A gente sempre sentava no banquinho lá embaixo e conversava sem perceber que a hora passava. Sempre foi interessante ouvir tantas lamentações, reclamações e até suas ações. Ele era um louco pensador. Assim eu o defino hoje. Poxa! Como eu me sinto nostálgico hoje. Foi uma sensação de melancolia que me invadiu o peito e me deixou assim, com saudade. Puta que pariu! Logo agora? Você realmente precisa ir agora? Eu lamento tantas coisas, por coisas que deixamos de viver, pelos planos que não saíram do papel. Em contra partida, há uma sensação de alívio. É algo bom que invade meu peito e me diz que vivemos o suficiente para entender o valor de uma amizade. Não, nós não fazemos o tipo de 2ª à 6ª feira. Um dia da semana era o suficiente, às vezes chegava a ser dois ou até mais e às vezes, até nenhum. Porém, isso nunca nos fez menos amigos. Seu abraço sempre esteve ali, disponível a mim, como um amuleto, como um norteador, como algo que cura. Talvez você nem saiba cara, mas você tem o poder de cativar as pessoas, na sua inocência, sua simplicidade e seu humanismo. Talvez você desconheça o carinho que eu sinto por você – não por eu ter escondido – mas sim pelo tempo que nos afasta de vez em quando – infelizmente, hoje não teremos só nossas agendas divergentes, nem anseios diferentes, nem baladas diferentes e amigos diferentes, hoje, teremos também a distância. Estaremos em raios diferentes. Eu só espero – e prometo – que, no que depender de mim, isso vai ser pequeno diante ao carinho, respeito e amor que sentimos um pelo outro. Desejo-te de coração que você seja feliz, tomando chá, de óculos vermelho, e com doces, vários doces, pois o amargo da sua vida, ele, com certeza já passou.

Boa vida, meu caro amigo do abraço!

Rubian Calixto - dedicado.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

cores, voltem!




Cada vez que eu olhava o relógio, ofuscava em vermelho o passar do tempo. Não era apenas meus olhos que estavam marcados por tal cor. Minha vida estava perdendo todo o colorido que outrora me deixou confuso e fez-me perder dentro de mim. O vermelho estava na minha conta bancária e isso me deixava vermelho de raiva. Desde que o rosa se fora, o laranja que ensolarava meus dias amarelos estava passando tão rápido que eu nem me dava conta. Além do vermelho, eu via muito cinza nas manhãs e isso contribuía para que eu permanecesse na cama até o preto chegar. O azul escuro da noite chegava antes e ia sem que eu ao menos percebesse. Percebi que a esperança do meu verde havia criado lodo. Desesperei-me. Revirei todo o meu quarto, pois lembrava que n’algum lugar havia cores escondidas. Olhei a parede azul desbotada e deixei um sorriso escapar... nesse meio tempo olhei tudo em volta. Lembrei de algumas pessoas, algumas situações, – até as mais constrangedoras – anseios e até meus medos passavam em minha mente naquele instante. Era uma mistura de cores, como se fosse um arco-íris. Eu abri um sorriso e voltei à dormir.

Rubian Calixtoem algum dia após 16 de agosto do último ano.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009



Demorou até que ele percebesse que o despertador não havia alarmado, aliás, ele nem lembrara que antes de dormir e fazer sua oração de agradecimento diária havia desativado. Já não se fazia necessário acordar junto ao sol e ele demorou a perceber isso. A partir desse dia resolveu inverter as coisas. Baixava compulsivamente temporadas dos seriados que lhe chamavam atenção e varria madrugadas com seus olhos atentos as conversas via messenger. Quando o sol nascia, ele dormia. Uma vez ou outra ele arriscou ficar sem dormir, afinal, era um tempo que ele nunca tivera por isso queria aproveitar o máximo e assim fez.
Seus olhos ficavam cansados, assim como seu corpo que havia sido abandonado pela natação e pela alimentação que vinha tendo. Ele aprendera novos hábitos e os praticava. Assistia, incontrolavelmente filmes pela madrugada que dormia enquanto ele estava lá, atento. Todos saíam para trabalhar e ele só estudava a noite. Vez ou outra desviava o caminho da faculdade, isso quando conseguia vestir-se para ir à aula. Passou a odiar suas roupas, seus tênis e tudo mais que olhava em volta. Em baixo do colchão foi escondida toda sua responsabilidade, junto de fotos que compunha um mural e recados apaixonados, outrora verdadeiros, naquele instante, só palavras em papéis coloridos. Seu quarto estava uma bagunça, assim como sua vida e sua mente. Ele não conseguia se concentrar. Era incrível. Faltou entrevista de emprego, foi estúpido com pessoas que amava e ainda brincou de ser orgulhoso. Não se arrependeu, contudo, agora faria diferente. Usou de alguns corpos e abusou de alguns desejos. Ah, disso ele se arrependeu. Tomou banho de chuva por duas horas seguidas. Deixou o carro destravado com tudo o que lhe restava dentro. Andou na contra mão, foi multado, perdeu sua habilitação. Ele percebeu que havia se enchido de si e perdeu-se dentro dele mesmo. Excedeu todos os limites dos cartões de crédito, brigou com o pai e deixou sua câmera fotográfica empenhada num posto de gasolina, pois não sabia que saíra sem dinheiro. Ele fugia da realidade que não aceitava. Tentou se aproximar de Deus e não conseguiu. Passou dois dias com a mesma roupa e sem dar notícias em casa. Desligou os celulares e os desligava com frequência. Não respondia sms, scraps nem absolutamente nada que o forçasse a falar de si. Algumas pessoas se aproximaram dele e ele permitiu. Seu amor concentrava-se em um peixe e em um cachorro de pelúcia. Ele percebeu que estava perdendo o amor por si. Foi ai que resolveu disseminar isso. Por vezes tomou café com um amigo numa tarde de segunda-feira, arriscava ir ao cinema nas quartas e não dispensava nenhuma espécie de convite que o fizesse sair de casa. Gastava o resto do dinheiro que lhe matinha com gasolina, trident e coca-cola, também comprou livros e filmes. Jamais roupas. Ele passou a detestar shoppings centers e descobriu sua diversão numa praça repleta de eucaliptos numa tarde ensolarada de quinta-feira. Ao meio dia de um dia de feira foi à praia e sentiu-se vivo. Depositou confiança nas pessoas, conheceu algumas e reconheceu outras. Ficou viciado nelas. Hoje ele percebe que a felicidade se esvai na simplicidade e encara isso de modo que o faça transmitir também. Perdeu relógios, roupas, uma correntinha na qual ele amava, emprego, namorada, chinelos e até a vergonha. Ele arriscou ser feliz e conseguiu.
Hoje, ele administra seu tempo, cumpre suas responsabilidades e fala que se as coisas melhorarem o mundo para a fim de aplaudi-lo.
Hoje, ele descobriu que não coleciona pessoa alguma, elas é que fazem questão de tê-lo por perto. E, quer saber? É isso que tem feito seus dias melhores.
E assim ele anuncia, que voltou.

Rubian Calixto – às 12h56 do último dia do ano da minha vida.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009


Enquanto o dia morre lá fora ele opta por entrar na escuridão da solidão que seus olhos refletem no espelho ainda embaçado. Aquele lugar obscuro dentro de si, onde todas suas fichas estão espalhadas pelo chão do apartamento cinza que outrora teve esperança erguida em paredes já não é tão nostálgico. Em meio à escuridão a cinza se evidencia como quem anuncia a que veio.

Já faz um tempo que ele não sabe o que é dormir em sua cama, a propósito, nem essa ele possui, contudo, isso não o impede de sonhar os desejos contidos em sua alma. Vez ou outra ele se pega vivenciando momentos complicados de olhos fechados e sente seu mais profundo sonho até perceber que o sol radiantemente o despertou com seus raios ultrapassando a janela da sala de estar. No sofá, ele permanece inerte até observar onde está e se dá conta de que se trata de um lugar familiar – mas nem tanto. Quando se permite esfregar os olhos e abrir a boca num bocejo preguiçoso é que se dá conta de que seus tímpanos já se sentem que o dia chegou. Algumas vezes, o abraço de um anjo o conforta e o faz acreditar que, mediante as circunstâncias, ainda existe algo de bom, a pureza de um anjo que não exige um "bom dia" nem explicações da noite anterior, apenas um abraço, um único e confortante abraço. E isso, talvez seja o suficiente.

Todos os dias ele pensa no que aconteceu e orgulha-se por ter sobrevivido tal catástrofe e ainda enfatiza que, caso tivesse em suas mãos o domínio dos acontecimentos, permitiria que tudo ocorresse do mesmo jeito. Cada lamentação, cada lágrima, cada bem perdido, cada esforço de esquecimento o faz sentir-se mais forte e confiante.

Ao longo de seus dias ele foi se auto subestimando e tentando ser melhor. Não por mim, nem por uma amiga, família, por ninguém. Na verdade, hoje ele é um hedonista e busca seu prazer. Dança como se ninguém estivesse olhando, canta, sorri, chora, abusa, ousa. Tudo se desencadeou dentro dele. Seus medos e conflitos continuam, porém, são frequentes em suas batalhas diárias. E, ele persiste em obstruí-las.

Diariamente ele sobe aquele vão de escadas, gira a chave que já criou cativeiro em seu bolso, e, com lágrima nos olhos ele vai até o quarto onde não há nada além de cinzas.

Enquanto o sol vai se despedindo do dia atrás dele, ele sorri e cria memórias.

Hoje, ele deixou de acreditar no amanhecer para acreditar em si mesmo.


 

Rubian Calixtodedicado.