quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Casalgrande, RE, Italia, 3 settembre 2010.





Cara Amélie,

Nesse instante a janela na qual vejo a lua encontra-se aberta, assim como meu 
coração. As cores que o céu permite me mostrar são esplêndidasVão de um azul bem forte, passando pelo cinza até chegar no preto. Pretas, assim são as meias que esquentam meus pés. O frio parece que ta chegando por aqui. Quando são aproximadamente 22h eu preciso fechar as janelas! - é uma sorte elas serem de vidro, logo, posso ver o céu mesmo estando fechadas. O céu tem sido um grande amigo, assim como TéoTéo ta com um cheirinho de frio. Você precisa sentir. Oh, lembro bem que você foi a ultima pessoa que o abraçou da vez que estivemos n'outro continente. Nossa Amélie, como meus dias tem sido felizes por aqui. Ah, veja bem... não estou te escrevendo essa carta como modo de retribuir o que me escrevestes onde não se chega horizontes, ta bem? Te escrevo por saudade e por vontade de te contar como tem sido tudo aqui. Como bem sabes, comecei a semana em Roma. E la, pude ver o quão é grande nosso egoísmo em nos aprisionarmos a uma vida qualquer. Acredite Amélie tanto para conhecer. A cada tijolo erguido que eu observava nas ruas, sentia um pouco de historia neles. Imagine o quesão tantos anos. Anos a.C, anos d.C. São anos, muitos anos! Onde transitou desde a Monarquia, República Oligárquica até chegar a esse Império. Nossa, saber que a Idade Média iniciou ali, assim como toda a historia da Igreja Católica, a qual submeteu Roma a doar parte de si para que se tornasse um estado independente. Certamente você sabe disso bem mais que eu, afinal, lecionar aulas de Ciências da Religião é um de seus grandes feitos. Em Roma, - como te falei - pude constatar muitas coisas, dentre elas,arquitetura, arte e baladas me chamaram mais atenção. (Não necessariamente nessa ordem, que fique claro.) Por ser uma cidade grande, sinto que la as expectativas multiplicam, assim como as possibilidades. Bem, sei que te deixei um pouco confusa com minha partida e reconheço que até fui tolo em não me despedir direito, contudo, me conheço o suficiente a tal ponto que sei o que estou fazendo, embora alguns duvidem e achem que não. Talvez você  tenha sido confundida por mim, Amélie. Talvez não, certeza! 

Bem, aqui na Europa, tudo é realmente diferente. Me assusta ver tantos carros nas ruas, tantas motos e tantas bicicletas. Me assusta olhar para o relógio, ver que são20h e ainda haver sol. E isso me faz esperar mais para ver o por do sol. Porém, mato o tempo que tenho nos livros, filmes e em tentativas frustrantes de dialetos no "bar" aqui do prédio. Sempre encontro com Margarida quando desço para tomar um capuccino. As vezes acabo tomando dois, pois, fico ouvindo Margarida falar como se estivesse entendendo. E no final eu digo: "Io non capisco niente!" E juntos, sorrimos. Talvez Margarida se torne uma amiga, talvez eu me apaixone por ela. Minha grande dificuldade aqui tem sido a língua. Nossa Amélie, prefiro dez mil vezes seu francês fajuto ou até mesmo meu espanhol. Ah propósito, outro dia estive numa boate que fica numa cidade vizinha. Fui com dois amigos do meu tio. Eles são mais velhos, porém são muito legais. Quando cheguei a boate,  tocava salsa. Eu enlouqueci. Não sabia que salsa era um ritmo tão caliente sexy. Lembro-me que no verão do ano em que estamos, dançamos reggaeton em Pipa, não é verdade? Pois bem, salsa se aproxima muito e se dança junto. Nossa, é uma coisa incrível. Logo, o modo como uma garota dançava me chamou atenção. Esperei ela terminar a dança e fui até sua mesa. Chegando la falei: Non parlo italiano." Ela sorriu. Perguntei se ela falava inglês. Ela disse não. Fiquei nervoso. Perguntei se falava em espanhol. Dai, a amiga dela - muito bonita por sinal - falou que sim. Então, arranhei no espanhol e acabei arranhando também na salsa. E, Amélie, sugiro: faça aulas de salsa. Enfim provei mojitos e eles fazem uma caipirosca com morango que é simplesmente fantásticavocê precisa provar. Afinal, sei que morango muito lhe atrai!
Amélie, é como te falei. Tenho pintado telas por aqui. Tenho usado o máximo de cor possível, porém, algumas tardes exige tons de bege. O amarelo também sempre ta presente em minhas tardes. Vez ou outra coloco um pouco de rosa em minhas manhas, pois, ligo o som naquelas porcarias americanas e danço. Sim, tenho dançado em casa! Algumas tardes também chegam a ser um pouco enigmáticas. E as vezes até pego no sono, pois, fico cansado tentando entender. As noites costumam ser lindas. Sempre leio, penso e estudo um pouco italiano. Ah, também tem a TV que tem me feito um bem danado. Existe um seriado daqui que despertou minha atenção  estou até acompanhando. Sem legendas, infelizmente. Então, ou recorro a alguém, ou ao dicionário. Do contrario, eu mesmo crio uma situação para a cena em questão. E tem sido tao divertido. Amélie ia esquecendo... quando estive em Roma, um outdoor me chamou bastante atenção. Ele estava exposto em um dos museus de Roma. Era bem grande, enorme. E havia uma bela mulher tendo seus olhos tapados por mãos gigantescas e robustas. Quando li, percebi que a Disney levara o musical A Bela e A Fera para Roma, dia 22 de outubro, para ser mais exato! Automaticamente lembrei de você e de uma outra amiga - que a propósito você conhece - enfim, caso esteja por essas bandas em outubro, podemos nos organizar para ir, que acha? Eu acho valido. ( Ouço daqui você dizer: " além de achar suuuper valido, acho necessário!") Então, tenho colocado bastante verde em minhas telas, o que me faz gerar muita esperança e acreditar que tudo vai ficar bem. Tenho preenchido bastante as telas. Serio mesmo. Elas vão de tantas cores, tantos traços que chego a senti-las carregadas demais. Entao, sempre deixo um espaço para desenhar um alguém. 

Amélie, como podes ver, me encontro um pouco euforico, talvez por ter descoberto que o mundo é tao grande... eita Amélie, alguém bate na porta. Vou atender!
- Era a saudade me pedindo um pouco de tinta para rabiscar uma tela.

Com carinho e pinceladas;



O pintor


P.s: Me manda noticias do carrossel e de maquinas fotograficas.

Rubian Calixto - dedicado.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Natal/RN - Brasil, Arrivederci!



São aproximadamente 19h. Minha família e alguns amigos  foram e a única companhia que desfruto nesse instante é a do meu querido Téo. Sinto um vazio no meu estômago quem eu não ouso chamar de fome, pois sei que não é. Meu celular ainda encontra-se ligado e isso me faz receber ligaçoes sms's. As pessoas ainda não acreditam que estou partindoNinguém acredita na minha decisão e alguns duvidam da minha coragem, jamais da minha capacidade, jamais. Eu as conforto insistindo em que eu não sei quando volto ou se volto. Possa ser que eu não suporte o frio, ou o calor, ou as pessoas, talvez meu novo emprego, talvez. Bem, assim como nao estou indo pensando em mudar, também não mudei para ir. Continuo o mesmo, garanto! Quem sabe eu passe poucos dias, ou só alguns meses, talvez anos, talvez. Enfim, minha vida esta entregue ao meu desejo insaciável de viver. Ainda quero me permitir e vou. Alias, estou. Porém, jamais quero esquecer quem sou ou o que busco, jamais. Ao contrario de alguns, ainda faço questão de ser além, ah, bem alémQuero serRubian que coleciona sorrisos e que simplesmente encara as coisas com esse rosto marcado pelas decepções. Ah, e a despeito disso, arregaço as mangas e encaro o que vir. Que venha. Alias, acabo de receber um sms de alguém que jamais imaginei. Abre aspas: " Quem me dera ter ao menos duas pessoas como você em minha vida. Enquanto a gente não se reencontra, vouerroneamente - tentar encontrar alguém como o garoto que anda por ai, carregando dois sacos cheios em cada mao. Um com perguntas, o outro com exclamações. Vai la, Rubian Calixtovocê que faz o mundo girar."
Penso comigo mesmo após ler isso e chegoconclusão de quenão importa o lugar, a hora, o continente, fuso horárioNão! Nada disso importa. O ser humano é mesmo incrível. Demorei e me assusto ao perceber que com o tempo, tudo passa.

"
Embarque no 
portão A, voo 737, com destino a MilãoItália."



Fechei bem os olhos, alias, eu os cerrei, suspirei e de longe, bem longe, nos meus ouvidos eu ouvi: Fica feliz que vai funcionarTalvez essa tenha sido a chamada da minha felicidade, talvez.

Rubian Calixto -  por volta das 19h30
 na espera do voo que atrasou, contudo, posou como uma borboleta num continente chamado Europa.


P.s: foto tirada do aviao, por volta das 6h, horario de Brasilia.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

; o vento


Ultimamente tenho notado o quanto o calendário oscila. É incrível riscar um dia a cada volta pra casa, entretanto, sei que meu dia não acaba após o fim do expediente de trabalho. Demorei a perceber que algumas vezes na semana eu tenho obrigações, assim, tentei me afugentar de algumas, contudo, não consegui. Peguei o caderno da minha história e tomei as rédeas que outrora estavam perdidas. E, nesse intermédio descobri que não adianta insistir: o tempo é só um autor de mudanças. E, - mais uma vez – lá vou eu pintar minha história. Fico estupefato com a revolução que isso causou. Algumas pessoas não perceberam que a vida não é uma constante. Ninguém é obrigado a aceitar as situações que lhe ocorrem, exatamente por isso existem escolhas e eu bem me lembro do quanto uma escolha pode mudar tudo, ou nada. Não pertenço a um grupo, nem religião, nem obrigação alguma que me faça fingir ser aquilo que não sou, e, depois de tanto tempo, da pré-adolescência, adolescência, conturbações e de adquirir responsabilidade, ainda sou o mesmo, todavia, acarretei experiência em tudo que passei e somei isso a minha vontade inacabada de mudar. Sobretudo, ainda não consigo entender algumas coisas. Ainda há confusão em minha mente, assim como medo, dúvidas e anseios, porém, talvez divulgar isso não seja necessário – não mais. E, não cabe a absolutamente ninguém entender minhas relações, reações e o motivo pelo qual meu sorriso tem brilhado mais forte. São particularidades e a gente demora a entender isso. Prefiro o anonimato, desse que deixa um frio na barriga quando você atende a uma ligação ou sai para um lugar que achava nem existir. Ainda há muito por fazer por aqui, as decepções virão e talvez eu tenha um escudo, mas, como todo mundo – e qualquer coisa, tudo tem seu lado fraco. Sempre haverá mudança, é assim que age o tempo. Porém, assim como os que buscam mudanças e aliam-se ao tempo, há aqueles que esperam pela mudança. Aqueles que estão à margem, no isolamento, pessoas que são impostas as mudanças, não por querer mudar, mas sim, por não aceitar as mudanças que giraram em torno de si. Egocentrismo? Sei lá. Hoje, tendo uma visão macro da coisa, estabeleço outro pensamento e sinto desprezo por isso, talvez seja uma sensibilidade latente, uma carência. Meus olhos se encharcam. Não consigo mais sentir o amargo do arrependimento. E, não sei até quando isso vai durar. Não é simplesmente achar que o tempo não se encarrega de matar desejos, e sim substituir personagens, não é achar que algo é errado ou agregar um passado próximo aos fatos. É como se eximir da culpa e simplesmente jogar nas massas de ar que saem para formar ventos e possíveis vendavais. A vida é tão mais incrível olhada por esse lado, da escuridão de um quarto frio que me faz calçar meias para dormir e esquecer que a cama na qual eu estou não é a minha.
Não sei se aprendi, apenas sei que o vento balançou por esse lado e me mostrou que assim como as bebidas, as pessoas também não devem ser misturadas.


Rubian Calixtoàs 17h43 de uma sexta feira. Com tempo, tudo passa.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

; a chuva.

Esqueci tudo o que a noite anterior havia me lembrado. E, fiz do mar um refúgio para meu silêncio. Olhei cada onda que molhava a areia e deixava um pouco da espuma branca que se perdia em fração de segundos. As ondas são incríveis. Elas se formam de modo impulsivo, adquirindo uma força e uma beleza assustadora. Enquanto o sol brilhava na íris do meu olho esquerdo, fechei o direito para enxergar melhor. Não sei como isso funciona, contudo, na claridade, é como se eu enxergasse melhor com um olho só. No escuro as coisas mudam. Admirei a liberdade que me prendia. Admirei minha capacidade de absorver as coisas e minha imaturidade com entender os outros. Pensei sobre erros, recalques, absurdos e tudo o mais que anda tirando meu sono quando deito invertido na cama. Lembro que mudar exige muito mais que ciclo, pessoas, lugares. Mudar é algo mais intimo, pessoal e intransitivo. De dentro pra fora, como quem mostra ser alguém que nunca foi. Vejo a cicatriz na minha perna direita e lembro. Lembro daquele dia em que fui mordido pelo meu próprio sonho. Vi que minha perna mudou, não é mais a mesma, assim como meu medo, aliás, o medo que adquiri. Quantas coisas mudaram em minha vida em tão pouco tempo. Assustei-me ao pesar as coisas. Sozinho, indeciso e preciso. Resolvi tatuar e mais uma vez, desisti. Mudei de ideia, assim, como mudo a roupa. Assim, como uma pessoa muda a outra. Vi que ainda sou o mesmo. Ainda confundo as pessoas, continuo sendo incógnita e vivendo abaixo das expectativas que me são impostas. É mais fácil viver assim. Anonimato. Meus lábios estavam secos, assim como meu corpo que naquele instante estava exposto ao sol. Pernas de fora, areia, calor. Uma parada, um susto. Um encontro. Agora, ninguém fugiria. Ou não. Entre golpes grotescos do ferro sobre a pedra vi minha fúria tornar-se fogo. Não era capaz de entender o que eu sentia. Vergonha, desprezo, raiva. Tudo estava misturado e molhado. Enxuguei o suor com a palma da mão. Estava cansado, afinal, a noite anterior... Olhei-me pelo retrovisor e peguei o celular que havia uma mensagem. Ignorei. Era ali que eu precisava estar. E estava. Por instantes algumas lembranças tentaram voltar, afinal, não dá pra esquecer tempo, modo e espaço. Eu sabia onde estava e com quem eu estava. E, sabia mais ainda tudo o que já tinha feito ali e como tinha feito. Não, eu não sou tão bom em apagar memórias. Lembrei. Os olhares se cruzaram e miraram. O que havia ali senão confusão? A conversa. O ressentimento. A cura. A dor. A promessa. O esquecimento. A mudança. A falsa modéstia. E, claro, as mentiras. Em pé, num lugar tão familiar quanto os corpos. Estiveram embalados sob latidos desesperados, preocupação e medo. Um gole ou outro de cerveja, as surpresas, as discórdias e mais uma vez, as mentiras. Questionamentos, direito de não-respostas, do silêncio. Desisti. Contudo, ouvi. Atentamente, como uma aula ou um assunto desconhecido que atiça meu desejo por sabedoria. Pobre, sem emoção. Como uma peça de teatro barata onde a arte é deixada para trás e o desejo vai além da emoção. Na transfiguração. Não se sabe quem estava ali. Eu, particularmente não sei. Sem abraços, sem proximidade, sem olho no olho. Apático, magro, estranho. Não foi nada lindo. Não foi.
Ainda sem um fim, sai em direção ao banho e enquanto a água gélida batia no meu corpo e levava consigo a sujeira, o suor, a espuma branca... olhei para o ralo e vi que, além de tudo isso, lá estava, descendo pelo ralo tudo o que eu havia ouvido. Pois é, eu não acredito em você.


Rubian Calixtoem uma segunda feira que amanheceu sob a chuva que veio molhar muita coisa, inclusive, meu ego.

terça-feira, 8 de junho de 2010

pôr do sol


Após quebrar o espelho do quarto percebi que o azar não se encontrava nos cacos e sim em minha mente. Fui eu quem trouxe o azar para perto. E demorou um pouco, diria. Contudo, o suficiente para usá-lo em meu favor. Por vezes caminhei na contramão que insistia em aparecer transcendendo em mim um poder de irresponsabilidade – um sabor que já estava desconhecido, até então – procurei respostas para meu questionamento. Resolvi conhecer mais o menino que carrega uma mochila nas costas e me prontifiquei de que me sobram motivos para querê-lo longe de mim, em contra partida, me falta vontade de simplesmente abandoná-lo. Na verdade, me falta o sentimento do desapego. Não havia mais nada a esconder de ninguém – ao menos das pessoas mais importantes pra mim -, porém, ainda havia muito por fazer. Então, mãos à obra.

Entre queijos importados, filmes, vinhos, um jaleco branco e uma ousadia escondida por um muro social, eu me encontrei. Ou me perdi. Aliás, me permiti. Foi fuga, vingança, desejo contido. Não se sabe. Só se sabe que foi feito. E tem sido feito. E tem feito bem. É quem sabe o acaso veio mesmo juntar os desencontros? Ascendi à luz da felicidade como quem liga o pisca alerta anunciando que vai entrar.

Era um dia sem muitas regras. Um dia daqueles: ensolarado e vivo. Parecia ser o último dia de um filme, aliás, a manhã seguinte onde o tempo para afim de que os personagens possam se reconstruir e ser feliz antes do fim. Regata, boné, água de coco, samba e uma viagem. Descobriu o que gosto da culinária e me levou para comer o melhor camarão do Estado. Senti felicidade naquilo, como alguém que outrora passara remédio em uma ferida, pois, sabia que àqueles cuidados trariam a cura, a cicatrização e o esquecimento. Fazia um tempo que eu não sentia isso. Adormeci no banco do passageiro e acordei em outro lugar. Não reconheci. Na verdade, não me reconheci. Lembrei do quanto eu gosto de estar distante. Do quanto eu me desprendo de tudo que julgo correto estando à milhas de onde eu vivo. Enveredei pela cidade. Andei de mãos dadas na praia e sorri para um pássaro que emitiu um som como resposta. Pensei em emoções e acabei parando em envolvimentos. Lembrei que somente eu posso definir meu grau de envolvimento. Lembrei do Pequeno Príncipe. Dos segredos que ele guarda e de seus vícios. Um dos que mais me atrai é o fato de ver o pôr do sol. No livro ele confessa o quanto gosta de vê-lo. Ainda haveria uma hora até o sol se pôr. E fui. Fui a um lugar incrível no qual já sabia onde ficava e todos que estiveram lá enfatizaram do quanto é lindo. E foi. Ver o pôr do sol acompanhado, tomando sorvete de amora e me perdendo num sorriso.
Na volta pra casa, enquanto o sol deitava em suas brumas, vi o céu tornar-se baunilha.

Olhei pro lado e tive dúvida em quem estava comigo. Olhei outra vez e me deparei com o branco do seu sorriso. Aquele branco do jaleco, da nuvem que perdeu o cinza, o branco que me trouxe paz.

Parados no acostamento da estrada, as estrelas brilhavam forte na escuridão da noite que anunciava o fim do dia. Respirei fundo, balancei e vi que é isso o que importa: ser feliz. Quem tem um sonho não dança, conclui.




Rubian Calixtoàs 11h38 de hoje, lembrando que depois que todos se afastam, a verdade vem e brilha como o sol acordando.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

antes do sol se pôr.

Houve um dia em que ele desistiu. O azul estrelar do seu céu de amores deu lugar a uma nuvem cinza de ilusões. Lembro-me perfeitamente daquela noite cinza de maio que trouxe consigo uma chuva que lavou não apenas seus olhos, mas também sua alma. Cantou sozinho no trânsito fazendo seu itinerário de volta para casa. A música falava em desaparecer, eu acho. Aliás, tenho certeza. Seu pensamento era inconstante, o fez inevitavelmente voltar o tempo como alguém que aperta o ‘slow’ e observa atentamente cada fragmento de uma história. E, como um livro ele voltou às páginas. Sorriu. Contudo, lágrimas estiveram mais presentes. Como a vida é intrusa, lembrou. E esqueceu de quem foi. Parado no vermelho do semáforo, perguntou a um estranho se ele conseguia enxergar a tristeza do seu olhar. O estranho não era confiável, imaginou. E preferiu ficar sem a resposta. Acelerou. Passou a duvidar, desacreditar, desconfiar e mais que isso, a desistir. Desistiu de entender, adivinhar e buscar. Lembrou que a busca gera expectativas e expectativas geram decepções. E ele não precisava de mais uma. Seu histórico comprova a situação. Como fatos comprovam o crime num tribunal. Réu, culpado, testemunha. Não havia. Foi tudo suposição. Invenção. Jogo. Era um jogo e ele demorou a entender isso. Na verdade, ele percebeu quando chegava em casa e foi antes de descer que disse a si mesmo que a partir de agora ele só quer uma coisa: tentar ser a pessoa que esqueceu.



Rubian Calixtoàs 10h14 de uma linda manhã de sexta feira onde eu queria que fosse composta por 50h.